Alfabetizar
letrando
É necessário ir
além da simples apropriação do código escrito;
é preciso exercer
as práticas sociais de leitura e escrita demandadas nas diferentes esferas da
sociedade.
Assim, o conceito
que ganha espaço e nova dimensão no mundo da escrita é o letramento.
Não se trata de uma
nova palavra, mas da emergência de um fenômeno até então não discutido em
profundidade: o uso que é feito da leitura e da escrita pelas pessoas que
passam ou passaram pela escola.
O termo letramento,
referindo-se à prática social da leitura e da escrita, vem juntar-se ao
conceito de alfabetização no sentido de se dar conta não apenas da dimensão do
processo de apropriação do código da escrita, mas das conseqüências desse
conhecimento na vida dos indivíduos.”
O termo letramento
passou a ser usado no meio
educacional a
partir da década de 80. Um grande desafio no processo de aprendizagem da Língua
Portuguesa é ter bem claros os conceitos de alfabetização e letramento, sabendo
que cada um deles tem suas características. Alfabetização é entendida como
processo de apropriação do sentido da escrita, e o Letramento é o processo de
inclusão e participação na cultura escrita envolvendo o uso da língua em
situações reais. Isso quer dizer que é necessário haver conhecimentos, atitudes
e capacidades que possibilitem a pessoa “entender” aquilo que está lendo. O
letramento e a alfabetização precisam andar juntos, pois a alfabetização é
essencial para que o indivíduo se torne letrado, mas, apesar de serem
inseparáveis, exigem formas de aprendizagem e procedimentos diferenciados de
ensino. O processo de alfabetização se faz por meio da escolarização do aluno e
o processo de letramento se faz no decorrer da vida. Podemos encontrar sujeitos
que são escolarizados, mas não entendem o que lêem, decifram somente o código,
estes são alfabetizados e não letrados. Por isso o grande desafio é o professor
trabalhar no intuito de alfabetizar e letrar o indivíduo, possibilitando ao
aluno que ele se aproprie do sistema lingüístico e consiga usar a língua na
prática social da leitura e escrita. Diante disso, no processo de alfabetizar
letrando, o professor como mediador do processo precisa respeitar o
desenvolvimento natural do aluno,
os diferentes modos
de aprender, e conhecer também o contexto social em que este aluno está
inserido. O professor-mediador necessita ter um perfil para ser um professor
alfabetizador veja alguns critérios que orientarão na escolha e na atuação
deste profissional:
·
aceitar
sua identidade profissional e valorizar seus conhecimentos e saberes sobre o
processo de alfabetização;
·
administrar
sua própria formação;
·
desenvolver
continuamente sua competência de leitor e escritor;
·
questionar
constantemente seu trabalho;
·
ser
pesquisador;
·
socializar
o seu trabalho;
·
envolver-se
em trabalhos coletivos e compartilhados;
·
participar
de processos de formação continuada;
·
valorizar
os conhecimentos prévios dos alunos;
·
respeitar
as capacidades e habilidades já desenvolvidas pelos alunos;
·
planejar,
desenvolver e avaliar situações contextualizadas de ensino e aprendizagem na
alfabetização;
·
valer-se
de novas tecnologias da comunicação e da informação;
·
diagnosticar
as dificuldades e problemas enfrentados pelos alunos, para intervir, interagir
e mediar o processo de elaboração e apropriação da leitura e da escrita; Etc.
Estes critérios colaboram para a formação
do professor alfabetizador,que trabalhados em conjunto facilitam e tornam reais
a proposta de alfabetizar letrando.